Mariana passou a contar oficialmente com sua primeira escola quilombola. O reconhecimento da Escola Municipal de Campinas, formalizado em 19 de junho, consolida uma proposta pedagógica voltada à valorização da cultura, da memória e dos saberes da comunidade quilombola do distrito.

A certificação insere a unidade nas diretrizes da educação escolar quilombola, modalidade prevista na legislação brasileira que busca integrar o currículo à realidade dos territórios tradicionais e fortalecer a identidade cultural dos estudantes.

O reconhecimento é resultado de um processo construído ao longo dos últimos anos com a participação de educadores, famílias, lideranças comunitárias, da Secretaria Municipal de Educação de Mariana e da Superintendência Regional de Ensino de Ouro Preto. A proposta desenvolvida pela escola incorpora referências históricas, culturais e sociais da comunidade às práticas pedagógicas.

Um dos destaques desse trabalho é o Memorial Aldravinturas, criado em 2023. O espaço reúne peças de vestuário, esculturas, livros e cerâmicas relacionadas à história e à cultura local e passou a integrar as atividades de ensino como instrumento de preservação da memória coletiva.
Em Minas Gerais, a rede de educação escolar quilombola reúne pelo menos 44 escolas estaduais distribuídas em dezenas de municípios, atendendo cerca de 6.500 estudantes. As unidades seguem diretrizes específicas voltadas à valorização da ancestralidade, da história e das práticas culturais das comunidades quilombolas.
A educação escolar quilombola foi criada para atender comunidades remanescentes de quilombos e tem entre seus objetivos garantir que os processos de aprendizagem dialoguem com os modos de vida, os conhecimentos e as tradições desses territórios. A proposta busca promover uma formação que reconheça a diversidade cultural brasileira e fortaleça o sentimento de pertencimento dos estudantes.
Para a comunidade de Campinas, a certificação representa o reconhecimento de uma trajetória marcada pela preservação da ancestralidade, da memória e das tradições locais. Para Mariana, marca a inclusão da primeira unidade da rede municipal oficialmente reconhecida como escola quilombola.




