A presença feminina na linha de frente da mineração ganha novo capítulo em Mariana. A Samarco incorporou 47 mulheres em funções operacionais historicamente ocupadas por homens, sendo 20 como operadoras de equipamentos de mina e 27 em áreas de manutenção no Complexo de Germano.
As admissões fazem parte do programa afirmativo Elas na Operação, iniciativa voltada à ampliação da participação feminina em funções técnicas e operacionais. O movimento sinaliza mudança no perfil da força de trabalho em um dos setores mais tradicionalmente masculinos da indústria brasileira.
A estratégia não se limita a Minas Gerais. Na unidade de Ubu, em Anchieta (ES), o programa também registrou avanços em 2025, com a entrada de operadoras portuárias e mecânicas na equipe de manutenção.
Desde a implantação de sua política de Diversidade, Equidade e Inclusão, a empresa elevou a participação feminina de 16,5% em 2022 para 29,5% em 2025. Nos cargos de liderança, o avanço foi ainda mais expressivo: a proporção passou de 10,4% para 28,8% no mesmo período.
A mudança ocorre em um contexto de revisão estrutural da cultura organizacional no setor mineral, pressionado por demandas sociais e de mercado por maior representatividade e inclusão. A ampliação da presença feminina em atividades operacionais, especialmente na mina e na manutenção pesada, representa um deslocamento relevante dentro da cadeia produtiva.
Executivos da companhia afirmam que a inclusão feminina impacta diretamente indicadores de segurança, eficiência e clima organizacional, ao ampliar diversidade de perspectivas e práticas colaborativas.
O avanço numérico, no entanto, é apenas parte do processo. Especialistas em gestão apontam que a consolidação dessa transformação depende da permanência dessas profissionais nas áreas operacionais, da criação de trajetórias de crescimento e da manutenção de ambientes que garantam igualdade de condições.
Ao reforçar o ingresso de mulheres em funções de mina e manutenção, a Samarco acelera uma transição que, até poucos anos atrás, era pontual no setor. A mineração brasileira ainda é majoritariamente masculina, mas movimentos como esse indicam reconfiguração gradual do perfil profissional nas grandes operações.





