O índice de reprovação nos exames práticos de direção registrou alta significativa nos últimos anos. Em 2019, menos de 2% dos candidatos eram reprovados tanto na categoria A, destinada a motocicletas, quanto na categoria B, voltada a automóveis. Em 2025, os percentuais saltaram para 5,60% nas provas de duas rodas e 6,80% nos exames para carros.
O Ministério dos Transportes reconheceu a elevação e informou que a tendência já vinha sendo observada desde novembro de 2024. Segundo a pasta, até a edição da Resolução Contran nº 1.020/2025, que reformulou o processo nacional de formação de condutores, não houve mudanças normativas promovidas pela Secretaria Nacional de Trânsito ou pelo Conselho Nacional de Trânsito capazes de alterar os critérios de avaliação.
A responsabilidade pela aplicação dos exames é dos Departamentos Estaduais de Trânsito. De acordo com o ministério, variações nos índices de aprovação podem decorrer de fatores operacionais e administrativos em âmbito estadual. A análise técnica detalhada ainda está em curso.
A Senatran informou que iniciará acompanhamento mais aprofundado da implementação das diretrizes nacionais, inclusive com visitas técnicas aos Detrans. A publicação do Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, segundo o órgão, busca padronizar critérios e ampliar a transparência na avaliação.
Levantamentos divulgados no fim do ano passado indicam que os índices variam amplamente entre os estados. O Rio de Janeiro apresentou taxa de reprovação de 46,67% na categoria B e 33,61% na categoria A. Mato Grosso registrou 39,73% e 26,68%, respectivamente. Tocantins, Piauí e Espírito Santo também figuram entre os estados com maiores percentuais.
Na outra ponta, Roraima apresentou índices de 2,28% na categoria B e 1,89% na categoria A. Goiás e Amapá também registraram taxas reduzidas.
Especialistas avaliam que a elevação dos índices pode refletir maior rigor na aplicação das provas ou dificuldades na adaptação ao novo modelo de formação. O debate ocorre em meio à reformulação da política nacional de habilitação, que busca ampliar o acesso ao documento e, ao mesmo tempo, elevar o padrão técnico dos condutores.




